Devo alertar, desde já, que os meus comentários não são produto de qualquer recalcamento ou sentimento negativo em relação ao Colégio Militar, mas é tão só um conjunto de reflexões acerca da instituição, de quem por lá passou alguns anos, e lá voltava de novo para aproveitar a oportunidade desperdiçada.
Nestes últimos tempos, tenho reflectido muito sobre o CM, não só em termos da minha experiência pessoal, como também numa espécie de análise custo-benefício, face ao Portugal do século XXI e às mutações sociais que desde há algum tempo ocorrem no seu seio. E para isso tem contribuído uma maior visibilidade da instituição, do seu dia-a-dia, das suas tradições, dos acontecimentos marcantes, um pouco por todo o lado, desde a televisão (por exemplo “Um nó na Alma”, na SIC) até à Internet (com sites, blogues, Youtube, Hi5, etc.).
Não considero o CM uma escola de “betos”, embora não exclua a hipótese de os haver por lá! Por outro lado, tirem da ideia aqueles que pensarem que é um “contentor” para onde se despejam miúdos mal comportados, em jeito de “casa de correcção”, colégio de freiras ou seminário…
Mas, a meu ver, o CM é, ainda e sempre, uma escola de elites e privilegiados. Logo a começar pelo valor das propinas (já não falando de todo o enxoval, que, ainda por cima, terá de ser renovado a meio do percurso, por razões claramente biológicas). Ainda assim, para quem é da Área Metropolitana de Lisboa, é um valor que por certo compensará, se o compararmos ao dos colégios externos privados, que ainda por cima não oferecem a mesma qualidade e diversidade de formação e ensino. Este panorama externo torna-se pior, se os pais decidirem complementar a formação com actividades físicas, em clubes desportivos, ou mesmo culturais (ex. música), que não são assim tão baratas.
Escola de elites, dada a condição sócio-económica da generalidade dos pais e encarregados de educação. Sejam militares, sejam civis, são maioritariamente pertencentes a quadros superiores, de avolumados salários, com forte estabilidade profissional e não menor prestígio social. E, como poderão confirmar, é um fenómeno cíclico, de pais para filhos: o CM é, sem dúvida, uma escola de perpetuação de elites!
E esta perpetuação de elites também tem laivos de “politicamente correcto”. Isto porque, como escola de valores, devia ser sua principal função (como acontecia originariamente) contribuir para uma sólida e íntegra formação dos cidadãos portugueses mais carenciados. E sublinho a palavra “portugueses”, para não se confundir com a autêntica invasão de PALOP’s e demais afro-descendentes, não só da capital como, neste caso, do Colégio Militar. Nunca vi, pelo contrário, grande vontade dos responsáveis pelo CM em ter a iniciativa atribuir bolsas de estudo para ajudar os verdadeiros portugueses necessitados, existentes um pouco por todo o País.
Também é, como já disse num comentário anterior, uma escola de elites geográficas. Muito resumidamente, e apesar de haver alunos de fora de Lisboa (em clara minoria), tudo o resto é “paisagem” face à maioria dos alunos da região capital.
Historicamente, o CM era uma antecâmara para as instituições de ensino militar (Academias do Exército, da Força Aérea, Naval) ou policial (Escola Superior de Polícia). Contudo, a realidade foi-se alterando, e não só os filhos de militares estão já em minoria, como, após concluírem os estudos, poucos são aqueles que prosseguem as tradicionais vias castrenses. Apesar desta “desmilitarização” sociológica, o CM ainda é visto como uma escola de formação de “oficiais e cavalheiros”. Pequenos pormenores fazem pensar sobre isso: alguma vez os alunos são postos a ajudar na preparação das refeições ou a lavar pratos após as mesmas? Lavam as suas casas de banho ou camaratas? Limpam a parada ou o Corpo de Alunos? Creio que não, pois isso parece ser coisa de “empregado” ou de recruta… E olhem que isso talvez fosse bom para criar em muitos elementos algum espírito de humildade, que parece, tantas vezes, não existir: quem não se lembra daqueles que iam para a Escolta (tantas vezes emproados e arrogantes) por terem um papá major ou coronel de Cavalaria? E porque tínhamos de apenas fazer a continência apenas a professores e oficiais, e não a sargentos?
Então coloca-se a questão: é de “oficiais e cavalheiros” de que precisa a sociedade portuguesa do século XXI? Ou precisa, antes, de cidadãos honestos, honrados, com verdadeiro amor à sua nação (e não aos sonhos “neocolonialistas” ou multiculturalistas, à maneira do “Portugal de Minho a Timor”, com total desrespeito pelas verdadeiras tradições europeias deste país…), com sentido de justiça, de humildade perante os demais cidadãos?
Sabemos que quem entra “beto”, rapidamente muda os seus comportamentos – a farda uniformiza, a disciplina militar tira as manias, o lema “Um Por Todos, Todos Por Um” é levado a sério, etc. Mas nada nos garante que, ao sair e voltar para o seu meio social, económico e cultural, não se torne de novo “beto”, agora reforçado pela sua suposta superioridade moral e cívica. Mas isso não será culpa do CM…
Nestes últimos tempos, tenho reflectido muito sobre o CM, não só em termos da minha experiência pessoal, como também numa espécie de análise custo-benefício, face ao Portugal do século XXI e às mutações sociais que desde há algum tempo ocorrem no seu seio. E para isso tem contribuído uma maior visibilidade da instituição, do seu dia-a-dia, das suas tradições, dos acontecimentos marcantes, um pouco por todo o lado, desde a televisão (por exemplo “Um nó na Alma”, na SIC) até à Internet (com sites, blogues, Youtube, Hi5, etc.).
Não considero o CM uma escola de “betos”, embora não exclua a hipótese de os haver por lá! Por outro lado, tirem da ideia aqueles que pensarem que é um “contentor” para onde se despejam miúdos mal comportados, em jeito de “casa de correcção”, colégio de freiras ou seminário…
Mas, a meu ver, o CM é, ainda e sempre, uma escola de elites e privilegiados. Logo a começar pelo valor das propinas (já não falando de todo o enxoval, que, ainda por cima, terá de ser renovado a meio do percurso, por razões claramente biológicas). Ainda assim, para quem é da Área Metropolitana de Lisboa, é um valor que por certo compensará, se o compararmos ao dos colégios externos privados, que ainda por cima não oferecem a mesma qualidade e diversidade de formação e ensino. Este panorama externo torna-se pior, se os pais decidirem complementar a formação com actividades físicas, em clubes desportivos, ou mesmo culturais (ex. música), que não são assim tão baratas.
Escola de elites, dada a condição sócio-económica da generalidade dos pais e encarregados de educação. Sejam militares, sejam civis, são maioritariamente pertencentes a quadros superiores, de avolumados salários, com forte estabilidade profissional e não menor prestígio social. E, como poderão confirmar, é um fenómeno cíclico, de pais para filhos: o CM é, sem dúvida, uma escola de perpetuação de elites!
E esta perpetuação de elites também tem laivos de “politicamente correcto”. Isto porque, como escola de valores, devia ser sua principal função (como acontecia originariamente) contribuir para uma sólida e íntegra formação dos cidadãos portugueses mais carenciados. E sublinho a palavra “portugueses”, para não se confundir com a autêntica invasão de PALOP’s e demais afro-descendentes, não só da capital como, neste caso, do Colégio Militar. Nunca vi, pelo contrário, grande vontade dos responsáveis pelo CM em ter a iniciativa atribuir bolsas de estudo para ajudar os verdadeiros portugueses necessitados, existentes um pouco por todo o País.
Também é, como já disse num comentário anterior, uma escola de elites geográficas. Muito resumidamente, e apesar de haver alunos de fora de Lisboa (em clara minoria), tudo o resto é “paisagem” face à maioria dos alunos da região capital.
Historicamente, o CM era uma antecâmara para as instituições de ensino militar (Academias do Exército, da Força Aérea, Naval) ou policial (Escola Superior de Polícia). Contudo, a realidade foi-se alterando, e não só os filhos de militares estão já em minoria, como, após concluírem os estudos, poucos são aqueles que prosseguem as tradicionais vias castrenses. Apesar desta “desmilitarização” sociológica, o CM ainda é visto como uma escola de formação de “oficiais e cavalheiros”. Pequenos pormenores fazem pensar sobre isso: alguma vez os alunos são postos a ajudar na preparação das refeições ou a lavar pratos após as mesmas? Lavam as suas casas de banho ou camaratas? Limpam a parada ou o Corpo de Alunos? Creio que não, pois isso parece ser coisa de “empregado” ou de recruta… E olhem que isso talvez fosse bom para criar em muitos elementos algum espírito de humildade, que parece, tantas vezes, não existir: quem não se lembra daqueles que iam para a Escolta (tantas vezes emproados e arrogantes) por terem um papá major ou coronel de Cavalaria? E porque tínhamos de apenas fazer a continência apenas a professores e oficiais, e não a sargentos?
Então coloca-se a questão: é de “oficiais e cavalheiros” de que precisa a sociedade portuguesa do século XXI? Ou precisa, antes, de cidadãos honestos, honrados, com verdadeiro amor à sua nação (e não aos sonhos “neocolonialistas” ou multiculturalistas, à maneira do “Portugal de Minho a Timor”, com total desrespeito pelas verdadeiras tradições europeias deste país…), com sentido de justiça, de humildade perante os demais cidadãos?
Sabemos que quem entra “beto”, rapidamente muda os seus comportamentos – a farda uniformiza, a disciplina militar tira as manias, o lema “Um Por Todos, Todos Por Um” é levado a sério, etc. Mas nada nos garante que, ao sair e voltar para o seu meio social, económico e cultural, não se torne de novo “beto”, agora reforçado pela sua suposta superioridade moral e cívica. Mas isso não será culpa do CM…
